OTIF não é meta de entrega. É o espelho do que acontece antes do veículo sair.
Quase toda transportadora mede o OTIF. Quase nenhuma usa o número para o que ele realmente serve, e o erro começa no nome.
OTIF é a sigla mais usada e menos entendida da logística. On Time In Full, no prazo e completo. Quase toda transportadora mede. Quase nenhuma usa o número para o que ele realmente serve.
O erro começa no nome. Chamamos de "indicador de entrega". E aí o gestor olha o OTIF como se fosse uma nota de prova: o veículo chegou, a nota saiu boa, o veículo atrasou, a nota saiu ruim. Mas o OTIF não mede a entrega. Ele mede tudo o que aconteceu antes da entrega.
O que o OTIF realmente está medindo
Uma entrega no prazo e completa é o resultado final de uma cadeia de coisas que deram certo bem antes do veículo chegar ao cliente:
- O pedido foi conferido sem erro de quantidade.
- O veículo certo foi alocado para a carga certa.
- A documentação saiu correta e na hora.
- O veículo deixou o pátio no horário planejado.
- A rota foi viável e o imprevisto, quando veio, foi comunicado a tempo.
Quando o OTIF cai, o problema quase nunca está na entrega. Está numa dessas etapas anteriores. O OTIF ruim é um sintoma. A doença ficou para trás.
Olhar o OTIF só na chegada do veículo é como descobrir que errou a receita só depois de provar o bolo. Tarde, e sem saber qual ingrediente foi.
Por que o OTIF como "meta" não funciona
Tratado como meta de fim de mês, o OTIF vira um número que se cobra mas não se gerencia. O gestor recebe o relatório, vê 87%, define que mês que vem precisa ser 92%, e ninguém sabe dizer o que fazer entre hoje e lá para que isso aconteça.
O número fecha o mês, mas não muda o dia. Vira cobrança sem caminho. E cobrança sem caminho gera o pior tipo de gestão: a que pressiona a equipe por um resultado cuja causa ninguém está olhando.
O OTIF como espelho, não como placar
O OTIF só vira ferramenta de gestão quando você para de olhá-lo no fim e começa a olhá-lo decomposto. Não basta saber que o OTIF foi 87%. Você precisa saber:
- Dos pedidos que falharam, quantos foram atraso e quantos foram falta de item? São doenças diferentes.
- Os atrasos se concentram em qual rota, qual turno, qual tipo de carga?
- O veículo saiu atrasado do pátio, ou saiu na hora e perdeu o prazo no caminho?
Decomposto assim, o OTIF deixa de ser um placar e vira um espelho: ele mostra exatamente onde a operação está vazando, com nome e endereço.
O número certo, no momento certo
A diferença entre uma operação que sofre com o OTIF e uma que o usa a favor não é a meta. É quando o número aparece. Saber que uma viagem está fora do prazo previsto enquanto ela ainda está rodando permite agir: avisar o cliente, redirecionar, conter o estrago. Saber disso no relatório do mês seguinte só permite explicar.
OTIF não é nota de entrega. É o reflexo da sua operação inteira. E todo espelho serve para uma coisa só: te mostrar o que ainda dá tempo de corrigir.
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